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Quantos entregadores a sua operação precisa (a conta em quatro passos)

Frota se dimensiona pelo pico, não pela média, e a capacidade de cada entregador depende menos da velocidade dele do que de quantas paradas cabem numa saída. A conta completa, com uma rota real medida por nós e os números que você precisa levantar antes de contratar.

Equipe Rotariza· Produto e dados

A pergunta chega sempre na mesma forma: "acho que preciso de mais um entregador". E quase sempre a decisão é tomada pela sensação de que a sexta foi corrida.

Dá para calcular. A conta tem quatro passos, e o mais importante deles é o que quase todo mundo pula.

Passo 1: descubra o seu pico (não a sua média)

Frota não se dimensiona pelo volume do dia. Se dimensiona pela pior hora do dia.

Levante, em duas semanas, quantas entregas saíram por faixa de 30 minutos. O número que interessa é a maior janela sustentada — tipicamente 60 a 120 minutos no jantar, ou o intervalo do almoço.

Um exemplo que vamos carregar até o fim: 90 entregas por dia, sendo 30 delas concentradas em 90 minutos. Isso são 20 entregas por hora no pico, contra uma média diária de 9 por hora. Dimensionar pela média erraria por mais do dobro.

Passo 2: meça o ciclo de uma rota

Capacidade de um entregador não se mede em quilômetros por hora. Se mede em ciclo: o tempo entre sair da base e estar pronto para sair de novo.

O ciclo tem três pedaços. Um deles nós medimos:

11,9 km em 17 min
Rota de 3 paradas em Hortolândia (SP), deslocamento total
Dado do Rotariza · rota medida em operação, dados de percurso registrados na plataforma

Os outros dois você precisa levantar na sua operação. No exemplo abaixo eles estão marcados como suposição:

Pedaço do cicloOrigemExemplo
Deslocamento da rota (3 paradas)medido17 min
Atendimento nas portas (3 × 4 min)suposição sua12 min
Retorno à basesuposição sua6 min
Ciclo completosoma35 min para 3 entregas

Isso dá 11,7 minutos por entrega, ou 5,1 entregas por hora por entregador.

Passo 3: veja o que o agrupamento faz com esse número

Agora repita a conta com uma parada por saída, que é como muita operação ainda trabalha: ida de 5,7 minutos (o trecho médio da rota medida), 4 minutos de atendimento e 5,7 minutos de volta. São 15,4 minutos por entrega — 3,9 entregas por hora.

Paradas por saídaCiclo por entregaEntregas/horaCapacidade relativa
115,4 min3,9referência
311,7 min5,1+31%

Trinta e um por cento a mais de capacidade sem contratar ninguém, sem ninguém correr e sem trocar a moto. O ganho vem inteiro de uma coisa: o trecho entre a base e a rua passou a ser dividido por três clientes em vez de um.

Passo 4: divida, e depois deixe folga

A conta bruta é direta:

entregadores = demanda no pico ÷ capacidade por entregador
             = 20 entregas/h ÷ 5,1 entregas/h
             = 3,9

E aqui vem a parte que separa a operação que aguenta sexta-feira da que não aguenta: não se planeja para 100% de ocupação.

Pedido não chega de forma regular. Chega em rajada. Quando a ocupação se aproxima de 100%, qualquer variação normal — três pedidos juntos, uma chuva, um endereço que estava errado — gera uma fila que não se desfaz sozinha dentro do pico. A espera cresce de forma não linear conforme a ocupação sobe, e a operação passa o resto da noite tentando recuperar.

Ocupação alvoContaEntregadores
90%3,9 ÷ 0,904,3 → 5
80%3,9 ÷ 0,804,9 → 5
70%3,9 ÷ 0,705,6 → 6

Cinco entregadores no pico. Pela média diária teriam sido três — e as duas últimas horas de toda sexta seriam um incêndio.

O que fazer com o resto do dia

Cinco no pico não significa cinco o dia inteiro. A demanda fora do pico, no exemplo, é de 9 entregas por hora: menos de dois entregadores.

O desenho que costuma funcionar é fixo mais variável: uma base contratada que cobre o dia todo e cobre parte do pico, mais capacidade acionada só no pico — entregador de plantão, escala parcial, ou parceiro. Manter cinco pessoas fixas para usar cinco durante 90 minutos é como o erro da média, invertido.

Três sinais de que já passou da hora

A conta indica. A operação confirma. Os sinais que importam:

  • Pedido pronto esperando entregador em vez de entregador esperando pedido. Inverteu a fila, a capacidade acabou.
  • O tempo entre "pronto" e "saiu" está subindo semana a semana. Esse é o primeiro número a degradar, antes de qualquer reclamação chegar.
  • Hora extra deixou de ser exceção. Nesse ponto você já está pagando o próximo entregador; só não está contratando ele.

Uma ressalva honesta

Mais entregador só resolve se o gargalo for entrega. Se a cozinha produz 15 pedidos por hora, o sexto entregador vai passar a noite parado no balcão, e a conta acima terá dado o número certo para a pergunta errada.

Antes de contratar, meça os dois lados: quantos pedidos ficam prontos por hora e quantos saem por hora. Se o primeiro número for menor, o problema não está na rua.

O que você precisa levantar antes de decidir

Nada aqui exige sistema. Exige três medidas que quase ninguém tem:

  1. Entregas por faixa de 30 minutos, por duas semanas — o seu pico real.
  2. Tempo médio de atendimento na porta — cronometrado, não estimado.
  3. Paradas por saída hoje, e a reclamação por saída em cada nível.

Com essas três, a conta deste artigo devolve um número para a sua operação em vez de um número para a nossa.

Perguntas frequentes

Posso dimensionar a frota pela média de entregas do dia?
Não, e esse é o erro mais caro da lista. Uma operação que faz 90 entregas num dia de dez horas tem média de 9 por hora, mas concentra 30 delas em 90 minutos. Dimensionar pela média deixa o pico descoberto por um fator de duas a três vezes, e é no pico que o cliente decide se pede de novo.
Por que não planejar com 100% de ocupação dos entregadores?
Porque a demanda não chega em intervalos regulares. Quando a ocupação se aproxima de 100%, qualquer variação normal — três pedidos juntos, uma chuva, um endereço errado — gera uma fila que cresce de forma não linear e não se recupera sozinha dentro do pico. Planejar entre 70% e 80% de ocupação é o que dá à operação capacidade de absorver o dia ruim.
Agrupar paradas realmente aumenta a capacidade?
Aumenta, e mais do que a maioria imagina. Com os números da rota que medimos, sair com uma parada por vez dá cerca de 3,9 entregas por hora por entregador; sair com três paradas dá cerca de 5,1. São 31% de capacidade a mais sem contratar ninguém e sem ninguém andar mais rápido — só o trecho entre a base e a rua sendo dividido por mais clientes.
Quando é hora de contratar o próximo entregador?
Quando o sinal aparecer no chão, não na planilha: pedido pronto esperando entregador em vez de entregador esperando pedido, tempo entre o pedido ficar pronto e sair crescendo semana a semana, e hora extra deixando de ser exceção. Os três juntos significam que a ocupação já passou do ponto onde a fila se recupera sozinha.

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O Rotariza monta a rota, registra quilometragem e horário de cada parada e guarda o histórico. Os números deste artigo saíram desse registro. O plano gratuito vai até 20 entregas por dia.

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